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Das ligações (espaço de pausa ou realidade sem tempo)

O edifício da Reitoria da UP situa-se no centro do turbilhão da actual realidade dominada pela massificação do turismo na cidade. É uma realidade nova, mas que está (já) a modificar a percepção da espacialidade da cidade. Uma das alterações vivenciadas por todos, nos nossos dias, é aquela que remete para uma maximização do interesse por tudo, quer dizer, uma espécie de viagem contínua pela superfície epidérmica das coisas sem nunca manter qualquer hipótese de aprofundamento ou de paragem. Ver o máximo no mínimo espaço de tempo, eis uma boa imagem para a realidade do espaço urbano central da cidade habitada em larga escala por turistas ávidos de tudo. Não será, por isso, nenhum exagero dizer-se que perante o manancial de possibilidades apresentadas, o tempo escasseia e, por isso mesmo, a primeira hipótese que aparece como possível seria a de uma necessária selectividade. Nada mais distante, contudo, das escolhas do nosso tempo. A ideia tecnológica do multitasking alarga-se ao todo social e introduz-se sub-repticiamente no quotidiano da cidade. Quer dizer, perante a maximização das escolhas, essa selectividade é colocada em posicionamento menor ou mesmo esquecida em favor de uma minimização do tempo despendido no todo, deslocando, assim, a visão que pára e observa daquela que apenas passa os olhos ou, mais assertivamente, aquela que apenas demora o olhar necessário à concretização da selfie...com a intenção de mais tarde recordar. Mas, mesmo essa situação tende a ser ultrapassada por outras que se ultrapassam a si próprias num aniquilar contínuo do Tempo que nos está a conduzir directamente à condição da (im)possibilidade da instantaneidade.

Numa realidade em que nos colocamos na posição de total impaciência perante tudo, em que a passagem do tempo, quando é sentida, se transforma, ela própria, numa espécie de fardo. Se somos impacientes com tudo, então, a arte encontra-se, naturalmente, incluída. Talvez uma das perguntas mais exigentes do nosso tempo para os artistas seja então o que fazer perante tal condição. A temporalidade e as decisões sobre o tempo, condição estrutural dos humanos, torna-se assim num dos elementos políticos mais importante para as práticas artísticas.

O que fazer então?

Talvez a resposta esteja contida numa nova possibilidade que determina o parar como condição activa. Sabemos que em plena euforia moderna com a velocidade, a possibilidade contemplativa esteve sempre debaixo de suspeita por se apresentar como representante de uma arte passada. Sabemos hoje que tal não era nem nunca será verdade. A contemplação, chamemos-lhe activa, para a distanciarmos da sua condição modernista permite a estruturação do pensamento porque determina a paragem. Uma paragem que é, afinal, apenas exterior, já que, no interior, todo o nosso corpo esta a ser abalado pela fruição da obra. É através desse corpo afectado que podemos falar de reactivação da contemplação no nosso tempo sem tempo como elemento político determinante. Longe dos panfletarismos pseudopolíticos, que contribuem decisivamente para a instituição da comunicação como forma unívoca de olhar, a contemplação activa potencia a reflexão e a produção de pensamento, afinal as componentes decisivas da recepção da obra de arte, mas, sobretudo, da sua lógica construtiva. O “fazer saber” da arte não é, afinal, mais que a plena afirmação do que vimos dizendo: quebrando o cisma da teoria e da prática ao possibilitar o levar do pensamento à experimentação da forma, os artistas estão, também, a colocar em prática a sua contribuição para a condição essencial da paragem. Em português a palavra paragem contém dentro de si própria dois verbos antagónicos: parar e agir. É, exactamente, no cruzamento dessas duas condições que se entrelaçam no acto de reflectir que a contemplação se oferece como elemento decisivo numa definição do político para as práticas artísticas contemporâneas. Porque, acima de tudo, coloca uma questão determinante no nosso presente: potencia o acto de pensar. Pensar longe das limitações temporais e físicas do digital (por exemplo dos 140 caracteres do twitter tão utilizado hoje), pensar livremente. E essa é uma das ligações mais importantes: a da intransigência da liberdade de pensar.

As obras que agora podem ser vistas na exposição reflectem na sua forma peculiar de olhar o mundo sobre todas estas questões. Assim haja tempo para serem fruídas...que a sala de exposições da Reitoria se possa transformar numa espécie de cápsula do Tempo exterior ao tempo sem tempo da gentrificação turística apenas regida pelo tempo maquínico dos seus dispositivos digitais portáteis, eis uma das ambições maiores para esta exposição e, contudo, obviamente, uma ambição sem pressas...

Fernando José Pereira

Outubro 2018

 

ORG: Doutoramento em Artes Plásticas

 


13 novembro a 21 dezembro 2018
Reitoria da Universidade do Porto
Inauguração às 18:00

EXPOSIÇÕES ANTERIORES

Sonhos e Raciocínios — 500 anos depois de Leonardo da Vinci

A exposição Sonhos e Raciocínios explora cinco aspetos presentes no desenho do Porto — variante e variação, o gesto quotidiano, o gesto da escrita, mínimo e excesso, o olhar íntimo — em desenhos de várias épocas e autores que abrangem desde estudos precisos a lápis em pequeno formato até instalações de desenhos-performance.


17 out a 14 dez 2019
Pavilhão de Exposições

Leonardo da Vinci – O desenho do Porto

A obra de Leonardo da Vinci, Rapariga lavando os pés a uma criança, será exibida durante o dia 2 de maio, quando se assinalam os 500 anos sobre a morte do grande artista italiano.


2 maio 2019
11:00 às 20:00
Pavilhão de Exposições

Imagem / Técnica — Os inventários de Emílio Biel

Exposição dedicada aos álbuns fotográficos de grande formato que o fotógrafo, editor e empresário alemão publicou para a Associação dos Engenheiros Civis Portuguezes.


31 maio a 20 julho 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 30 maio às 18:00

 

A partir do Antigo

A exposição refere-se a métodos de formação artística historicamente baseados na cópia de modelos clássicos. 


1 março a 20 abril 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 28 fevereiro às 18:00

 

Japanese Design Today 100

Design Japonês Hoje 100


16 novembro a 15 dezembro 2018
Pavilhão de Exposições
Inauguração 15 novembro às 18:00

 

Histórias por contar

Elas: autoria & autoridade em questão


20 julho a 27 outubro 2018
Pavilhão de Exposições

Prata da Casa

É uma exposição organizada por André da Loba a convite do Clube de Criativos de Portugal que reúne 120 ilustradores, de diferentes gerações e diferentes áreas de formação – incluindo alguns estudantes e professores desta Faculdade.


16 setembro a 4 outubro 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 16 setembro às 12:00

Mar Novo

A exposição apresenta e discute várias peças que constituíram o projecto vencedor nas suas múltiplas valências, integrando elementos originais da extraordinária proposta que Júlio Resende desenvolveu para este ambicioso projecto colaborativo de obra pública.


17 novembro 2017 a 3 março 2018
Pavilhão de Exposições

do it

do it é uma exposição itinerante concebida e comissariada por Hans Ulrich Obrist e organizada pelo Independent Curators International (ICI), Nova Iorque.

do it is a traveling exhibition conceived and curated by Hans Ulrich Obrist, and organized by Independent Curators International (ICI), New York. 


25 de março a 23 de junho 2017

Inauguração 24 de março às 18:00
Pavilhão de Exposições

doingit.fba.up.pt

ONZE SEGUNDOS SACÁDICOS

Exposição de Tomás Abreu


26 maio a 16 junho 2018
Galeria Painel
Rua das Taipas, 135 Porto
Inauguração às 17:00

As fotografias e o resto #4

As fotografias e o resto #4, patente de 18 a 25 de Janeiro de 2019 no Museu da FBAUP, é a quarta edição da exposição anual de estudantes de Práticas da Fotografia, reunindo trabalhos realizados nos anos lectivos de 2018/19.


18 a 25 janeiro 2019
oMuseu
Inauguração às 14:00

Encode / Store / Retain / Recall

Exposição dos estudantes finalistas da Licenciatura em Artes Plásticas — Multimédia da FBAUP


24 a 31 janeiro 2019
Palacete Pinto Leite
Rua da Maternidade, 3—9
Porto
Inauguração Quinta · 17:00

Tem de ser / Has to be

Exposição dos estudantes finalistas da Licenciatura em Artes Plásticas — Multimédia da FBAUP


31 maio a 7 junho 2019
oMuseu + Galeria do 1º andar
Inauguração · 17:00

Tubo de Ensaios 17_18

Mostra Curricular Atelier II Escultura 3º ano · LAP 2017/18


15 a 21 junho 2018
Vários espaços da FBAUP

Projeto Lab.25

Tendo como lugar de investigação o Palacete J. Narcizo D’Azevedo e a contígua Ilha e Fábrica Fogões Meireles, explora-se a sua relação temporal e espacial com a envolvente, reanalisa-se o espaço produzindo narrativas e situações poéticas. 


13 a 21 junho 2019
Galeria 1º andar

Acreção

Exposição de estudantes finalistas de LAP — Escultura


14 a 21 junho 2019
oMuseu
Inauguração 18:00

Tubo de Ensaios 18_19

Mostra Curricular Atelier II Escultura 3º ano LAP 2018/19


6 a 12 junho 2018
Vários espaços da FBAUP

As Fotografias e o Resto 3

As Fotografias e o Resto 3, é o título da terceira edição da exposição que apresenta os portfolios e projectos editoriais desenvolvidos em Práticas da Fotografia (Artes Plásticas).


24 janeiro a 2 fevereiro 2018
oMuseu
Inauguração 17:00

MAPEriférico

“MAPEriférico” apresenta-se como uma possibilidade de exposição das experimentações dos estudantes de Práticas de Estúdio e de Investigação-Escultura (2º ano do Mestrado em Artes Plásticas) durante o 1.º semestre do ano letivo 2019/2020. 


6 a 13 jan 2020
Galeria Cozinha

Entorno

Esta mostra reúne alguns dos trabalhos desenvolvidos pelos estudantes do 2º ano do curso de Mestrado em Artes Plásticas -Desenho.


11 jan a 2 fev 2020
AL589
Rua da Alegria, 859
Inauguração 17:00

Couve

Exposição dos estudantes finalistas da LAP – Multimédia – 1º semestre


28 a 31 jan 2020
FBAUP
Inauguração 17:00

É O Que É

Exposição dos estudantes finalistas da LAP – Escultura – 1º semestre


30 jan a 11 fev 2020
FAJDP – Casa das Associações – Rua Mouzinho da Silveira, 234/8, Porto
Inauguração 17:00

Novo Acordo

Novo Acordo é uma exposição coletiva realizada pelos estudantes de Mestrado de Artes Plásticas: Pintura, que pretende mostrar o trabalho desenvolvido pelos alunos de 1º ano de mestrado em estúdio de pintura e desenho.


21 a 27 fev 2020
oMuseu
Inauguração 17:00