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A apologia da crise (sobre o desconforto: contaminar e contaminar-se)

Nas palavras de Deleuze e Guattari em “Mille Plateaux” um ponto crítico é um caso ou limite extremo. Um ponto a partir do qual um estado ou condição se transforma num outro estado ou condição. A krisis dos textos de Hipócrates é uma crise da doença, o momento paroxístico findo o qual ou o doente morre, ou o processo de cura inicia-se graças à própria crise instalada. Em entrevista recente Rosalind Krauss afirma, de forma inequívoca, a sua oposição ao “vale tudo” em que se transformou grande parte da produção artística contemporânea como consequência directa da institucionalização vitoriosa da prática da instalação. Refere a autora que o papel da crítica é o mesmo de sempre: examinar o que é importante na prática contemporânea. O crítico move-se em direcção oposta ao que seria a resposta popular. O que, na actualidade, equivale a dizer que está em oposição à prática celebratória da instalação, entendida aqui como o tipo de arte que se organiza segundo a lógica de um agrupamento teatral de objectos num espaço fechado. A autora americana considera esta prática “totalmente fraudulenta”. Portanto, em crise.
A constatação de um cansaço por parte de pessoas insuspeitas — lembremos que R. Krauss é uma das grandes responsáveis pela expansibilidade espacial da arte em direcção a contextos “exteriores” através do já célebre texto “the sculpture in an expanded field” — já se faz sentir há algum tempo. A própria autora já tinha dedicado um ensaio a este tema. O que se encontra em discussão é verdadeiramente importante. A preponderância do espaço na contemporaneidade requer uma atenção reforçada às implicações que daí advêm. O espaço com que nos defrontamos está carregado de ambiguidades que provocam uma flutuação das intencionalidades, isto é, uma deliberada recusa do aprofundamento necessário a uma prática artística que se quer posicionar criticamente. Aqui surge o verdadeiro problema: a homogeneização e proliferação das imagens e objectos a que assistimos continuamente provoca uma derrisão acentuada dos objectivos a que inicialmente a instalação se encontrava vinculada e, assim, assistimos a uma crise profunda da ideia de anormatividade que os artistas do séc. XX tanto privilegiaram. A ultrapassagem anormativa da instalação face à exposição tornou-se, claro, a nova norma...que agora entrou em crise.
A crítica ao medium fechado e pretensamente puro da modernidade permitiu o aparecimento de uma arte que, pelo contrário, se deixa contaminar. A sua relação com a realidade efectua-se em sentido inverso: de fora para dentro.
Contudo, deverá ser clarificado o relacionamento existente entre a “nova” arte da instalação e a noção de medium. Não é a sua recusa que se encontra em jogo, embora a diabolização do termo seja corrente. É, antes, um acrescento de densidade, já não puramente formal, a este mesmo medium que é proposto — aquilo que R. Krauss designa como especificidade diferencial, ou seja, uma diversidade de contaminações necessariamente exteriores que passam a ser componente intrínseca da obra.
Simplesmente, como bem o sabemos, a expansibilidade incontida desta miscigenação de géneros transformou-se numa nova realidade de pura indistinção. Aquilo que aparecia como uma estratégia de avanço perante o encerramento medial modernista é hoje um parente pobre da chamada cultura visual. A sua profusão expansiva provocou uma espécie de auto-imunidade, ou seja, a sua total implosão.
Onde nos encontramos então?
O olhar crítico, potenciador da actividade artística, ao incorporar no seu discurso um relacionamento distanciado terá, necessariamente, que reposicionar-se relativamente à problemática espacialidade contemporânea.
Uma espécie de consciencialização trágica desta interioridade compulsiva (gerada pela totalização global) proporciona uma intencionalidade na deriva endógena em busca de melhores ângulos de intervenção (uma chamada de atenção a uma noção importante de Hal Foster: a “parallactic view”). Uma exigência de atenção que escape largamente à apatia imposta pelo “olhar direccionado”.
Talvez algumas das poucas tarefas que ainda restam à arte contemporânea passem por esta constatação absolutamente determinante: perante o vazio fashion[ ] da produção corrente enredada em cumplicidades, a todos os níveis, com as políticas de socialização do sensível, uma arte reflexiva tem lugar para sobreviver, exactamente por realizar esta nova emergência social: despertar a atenção.
Em plena época de fobias comunicativas (pelo deslumbramento que a tecnologia provoca, sobretudo, a numérica) e de modas várias em torno da ideia de obra como mercadoria, uma consciencialização forte destes problemas requer, antes de mais, um afastamento de toda e qualquer ideia de autodidactismo e, pelo contrário, um envolvimento experimental com os sistemas complexos de pensamento. O que orienta a obra em direcção a latitudes totalmente distintas das articuladas e apoiadas massivamente pelo negócio do ócio (Moraza); com todos os riscos que esta atitude acarreta.
Talvez o repensar desta espécie de ensombramento/sombra que autores como Foster ou Perniola propõem se encontre face a face com algumas das proposições teóricas anteriores, nomeadamente, aquelas que vêm dos pensadores alemães como Benjamin e Adorno. E, aí, introduz-se a discussão em torno da premissa moderna de progresso, agora arremessada com o odor electrificado dos componentes electrónicos e interactivos. Talvez uma ideia de obsolescência ganhe algum sentido, aquela que recusa a velocidade imposta pela lógica sazonal fashion, que tudo torna obsoleto apenas pelo prazer do lucro.
A sombra que paira sobre a obra é tanto maior quanto mais forte é a iluminação que a rodeia (Perniola). Nela se encontra a complexidade e a “soberania”[ ] necessária à sua sobrevivência como obra de arte que resiste e que se distancia internamente, para melhor se deixar contaminar socialmente e para, naturalmente, poder exercer a sua intencionalidade de contaminar.
O que se propõe não direcciona a obra para qualquer referência a algum tipo de formalismo. Antes a uma espécie de reivindicação de uma complexidade para a obra que lhe ofereça as condições para se afirmar como potenciadora de uma reflexão que a posiciona claramente mais para lá da simples fruição. Aquilo que Derrida designa, muito acertadamente, como interactividade diferida, isto é, uma espécie de prolongamento ao regime extático da experienciação estética. No fundo, voltando a utilizar uma das noções fundamentais deste texto, uma intencionalidade declarada numa chamada de atenção.
ORG: Doutoramento em Artes Plásticas + i2ADS

 


8 a 15 março 2019
oMuseu
Inauguração 18:00

 

EXPOSIÇÕES ANTERIORES

Leonardo da Vinci – O desenho do Porto

A obra de Leonardo da Vinci, Rapariga lavando os pés a uma criança, será exibida durante o dia 2 de maio, quando se assinalam os 500 anos sobre a morte do grande artista italiano.


2 maio 2019
11:00 às 20:00
Pavilhão de Exposições

Imagem / Técnica — Os inventários de Emílio Biel

Exposição dedicada aos álbuns fotográficos de grande formato que o fotógrafo, editor e empresário alemão publicou para a Associação dos Engenheiros Civis Portuguezes.


31 maio a 20 julho 2019
Pavilhão de Exposições
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A partir do Antigo

A exposição refere-se a métodos de formação artística historicamente baseados na cópia de modelos clássicos. 


1 março a 20 abril 2019
Pavilhão de Exposições
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Japanese Design Today 100

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16 novembro a 15 dezembro 2018
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Histórias por contar

Elas: autoria & autoridade em questão


20 julho a 27 outubro 2018
Pavilhão de Exposições

Mar Novo

A exposição apresenta e discute várias peças que constituíram o projecto vencedor nas suas múltiplas valências, integrando elementos originais da extraordinária proposta que Júlio Resende desenvolveu para este ambicioso projecto colaborativo de obra pública.


17 novembro 2017 a 3 março 2018
Pavilhão de Exposições

do it

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do it is a traveling exhibition conceived and curated by Hans Ulrich Obrist, and organized by Independent Curators International (ICI), New York. 


25 de março a 23 de junho 2017

Inauguração 24 de março às 18:00
Pavilhão de Exposições

doingit.fba.up.pt

ONZE SEGUNDOS SACÁDICOS

Exposição de Tomás Abreu


26 maio a 16 junho 2018
Galeria Painel
Rua das Taipas, 135 Porto
Inauguração às 17:00

As fotografias e o resto #4

As fotografias e o resto #4, patente de 18 a 25 de Janeiro de 2019 no Museu da FBAUP, é a quarta edição da exposição anual de estudantes de Práticas da Fotografia, reunindo trabalhos realizados nos anos lectivos de 2018/19.


18 a 25 janeiro 2019
oMuseu
Inauguração às 14:00

Encode / Store / Retain / Recall

Exposição dos estudantes finalistas da Licenciatura em Artes Plásticas — Multimédia da FBAUP


24 a 31 janeiro 2019
Palacete Pinto Leite
Rua da Maternidade, 3—9
Porto
Inauguração Quinta · 17:00

Tem de ser / Has to be

Exposição dos estudantes finalistas da Licenciatura em Artes Plásticas — Multimédia da FBAUP


31 maio a 7 junho 2019
oMuseu + Galeria do 1º andar
Inauguração · 17:00

Tubo de Ensaios 17_18

Mostra Curricular Atelier II Escultura 3º ano · LAP 2017/18


15 a 21 junho 2018
Vários espaços da FBAUP

Projeto Lab.25

Tendo como lugar de investigação o Palacete J. Narcizo D’Azevedo e a contígua Ilha e Fábrica Fogões Meireles, explora-se a sua relação temporal e espacial com a envolvente, reanalisa-se o espaço produzindo narrativas e situações poéticas. 


13 a 21 junho 2019
Galeria 1º andar

Acreção

Exposição de estudantes finalistas de LAP — Escultura


14 a 21 junho 2019
oMuseu
Inauguração 18:00

Tubo de Ensaios 18_19

Mostra Curricular Atelier II Escultura 3º ano LAP 2018/19


6 a 12 junho 2018
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As Fotografias e o Resto 3

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24 janeiro a 2 fevereiro 2018
oMuseu
Inauguração 17:00

Classificados

Exposição de Finalistas de Design de Comunicação 2018/19, tem como objectivo proporcionar uma reflexão crítica sobre o trabalho criativo desenvolvido pelos estudantes finalistas do 1º Ciclo de Estudos em Design de Comunicação da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. 


28 junho a 5 julho 2018
oMuseu
Inauguração 17:00

D’Après

A oficina, o laboratório, o natural — último momento do projecto d’Après Abel Salazar em parceria com CMAS — Casa Museu Abel Salazar.


6 junho a 24 agosto 2018
Sala de Exposições · Reitoria da Universidade do Porto
Praça de Gomes Teixeira
Inauguração às 18:00

INTERNAMENTE — Pensamento e Prática Artística em Contexto Hospitalar

Exposição que apresenta uma dezena de alunos e alumni da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, com formação em Pintura e Gravura, dos diferentes níveis de graduação: licenciatura, mestrado e doutoramento.


9 junho a 15 setembro 2018
Hospital da Prelada
Inauguração às 18:30

Noroeste-Sudeste — Novas perspectivas em desenho

A segunda edição da exposição Noroeste-Sudeste reúne trabalhos e projetos de 12 autores que colocam o desenho no centro da sua prática: um amplo espectro de abordagens ao desenho que revela a sua contínua atualidade na arte contemporânea, a sua relação com a história e a retórica das imagens. Conscientes da impossibilidade de definir e usar o desenho num único sentido, estes autores questionam o que pode ser o desenho para a sua geração; como dialoga com as diferentes artes e como constrói e altera a perceção de si próprios e do mundo.


29 junho a 27 julho 2019
Lugar do Desenho / Fundação Júlio Resende — Sala de Exposições Temporárias
Inauguração 16:00
Rua Pintor Júlio Resende, 105
4420–534 Valbom Gondomar

O Corpo Transparente

Desenho no Museu Anatómico: Partilha e Experiências Pedagógicas 2018


12 setembro a 26 outubro 2018

Reitoria da Universidade do Porto
Inauguração 18:00

 

Sudeste—Noroeste

Novas Perspectivas em Desenho — Exposição


outubro a 9 novembro 2018

Casa da Prelada
Rua dos Castelos, 485, Porto

 

Diálogos com Amadeo

Exposição de Pintura


15 setembro a 15 outubro 2018
Galeria Olívia Reis, Espinho
Inauguração às 16:00

Mesa redonda: O Corpo Transparente

Mesa redonda com Teresa Lacerda (Faculdade de Desporto), Artur Águas (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e Mário Bismarck (Faculdade de Belas Artes).


10 outubro 2018

18:30
Reitoria da Universidade do Porto

 

RUN RUN RUN

Exposição de Finalistas de Design de Comunicação 2017/18


5 a 13 julho 2018
oMuseu
Inauguração às 17:00