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Com-Fim

Barcos, ilhas e quarentenas As ilhas sempre alimentaram o imaginário. Das ilhas desconhecidas ou desertas às ilhas longínquas perdidas no meio do vasto oceano, a ideia de ilha, como unidade autónoma e capaz de gerar uma realidade própria, é a imagem do utópico, do desejo, do fantástico ou do enigmático. Muitas vezes, em sentido contrário, essas mesmas ilhas serviram como lugar indesejado de exílio ou degredo para os criminosos ou párias deste mundo. Também o barco, como uma espécie de ilha artificial, móvel e manobrável, funciona amiúde como lugar de excepção que se exclui da realidade das coisas do mundo. Embarcamos num barco para nos perdermos do mundo, do mesmo modo que aportamos a uma ilha para recomeçar tudo do nada, umas vezes por opção outras em exílio forçado, como acontecia com o castigo do degredo. Por cima de tudo isto, as ilhas e os barcos não partilham apenas a sua condição de isolamento e o imaginário heterotópico da realização de um mundo fora do mundo. Umas e outros estão ligados porque a única forma de alterar a condição das ilhas é a abertura de rotas de navegação que rompam o seu isolamento, construindo assim constelações imaginárias entre pontos apartados pelos oceanos. Para as ilhas e barcos o deserto é o espaço em volta, o território sem coordenadas do mapa vazio de Lewis Carrol em Caça ao Snark. Cabe aos barcos traçar linhas sobre esse vazio e às ilhas pontuá-lo, como acontece com os oásis nos desertos que se formam em terra seca. Nos últimos meses vivemos por largos períodos confinados e ligados aos outros e ao mundo por pequenas portas, janelas e postigos oferecidos pela tecnologia. Reactivou-se assim o termo medieval da quarentena, usado com maior ou menor precisão para nos referirmos a essa suspensão forçada da vida normal que nos deixou agarrados aos teclados e ecrãs de computadores, telefones e tablets. Esta quarentena, uma palavra com origem  numa cidade anfíbia e ambivalente, leva-nos de volta aos barcos e ilhas com que começámos este texto, já que se refere aos quarenta dias que os barcos tinham de esperar ancorados ao largo de Veneza para proteger a cidade da Peste Negra que assolou a Europa no século XIV. Foi também numa espécie de quarentena, dependentes para quase tudo dessas portas digitais, que não são mais do que parentes pobres de uma relação plena com os outros e com o mundo, que se fizeram os trabalhos documentados nesta publicação* e apresentados em <http://com-fim.virose.pt>. Esperamos ainda assim que estes projectos possam um dia vir a terra firme, escapando assim ao exílio inesperado que lhes foi imposto. Miguel Leal Freiburg im Breisgau, 07.07.2020

*Publicação disponível aqui.

EXPOSIÇÕES ANTERIORES

Sopro

Mostra Curricular de Estúdio em Escultura. Mestrado em Artes Plásticas. 2.º semestre.


21 a 22 jul 2020
oMuseu

O avesso do avesso do avesso [do avesso]

O avesso do avesso do avesso [do avesso] é o título de uma exposição que começou há alguns meses no contexto do programa doutoral em Artes Plásticas da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto.


/Online

SHIFT

Exposição de Finalistas de Design de Comunicação 2019/20


28 set a 02 de out
oMuseu

 

As fotografias e o resto

Sexta edição da exposição anual de estudantes de Práticas da Fotografia, reunindo trabalhos realizados no ano letivo de 2020/21.


[ADIADO]
oMuseu

 

Vaga

Uma ocupação sonora e visual.


21 a 25 set
FBAUP

 

Intervalo — Antes e depois, o desenho

Exposição de Práticas de Desenho [Licenciatura em Artes Plásticas]


prolongada até 10 out 2020
Sala de Exposições Temporários do Lugar do Desenho

 

do it (home)

do it comissariada por Hans Ulrich Obrist e desenvolvida pela Independent Curators International (ICI), com curadoria local de Lúcia Almeida Matos e Inês Moreira, aconteceu no Pavilhão de Exposições da FBAUP no decorrer de Março a Junho de 2017. Uma exposição que contou com a colaboração de estudantes, docentes e restantes colaboradores da Faculdade, na interpretação de 23 instruções de artistas internacionais. Surge agora neste período de distanciamento social a do it (home) que convida a novas interpretações a serem realizadas por qualquer pessoa. #doitathome

Sonhos e Raciocínios — 500 anos depois de Leonardo da Vinci

A exposição Sonhos e Raciocínios explora cinco aspetos presentes no desenho do Porto — variante e variação, o gesto quotidiano, o gesto da escrita, mínimo e excesso, o olhar íntimo — em desenhos de várias épocas e autores que abrangem desde estudos precisos a lápis em pequeno formato até instalações de desenhos-performance.


17 out a 14 dez 2019
Pavilhão de Exposições

Leonardo da Vinci – O desenho do Porto

A obra de Leonardo da Vinci, Rapariga lavando os pés a uma criança, será exibida durante o dia 2 de maio, quando se assinalam os 500 anos sobre a morte do grande artista italiano.


2 maio 2019
11:00 às 20:00
Pavilhão de Exposições

Imagem / Técnica — Os inventários de Emílio Biel

Exposição dedicada aos álbuns fotográficos de grande formato que o fotógrafo, editor e empresário alemão publicou para a Associação dos Engenheiros Civis Portuguezes.


31 maio a 20 julho 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 30 maio às 18:00

 

A partir do Antigo

A exposição refere-se a métodos de formação artística historicamente baseados na cópia de modelos clássicos. 


1 março a 20 abril 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 28 fevereiro às 18:00

 

Japanese Design Today 100

Design Japonês Hoje 100


16 novembro a 15 dezembro 2018
Pavilhão de Exposições
Inauguração 15 novembro às 18:00

 

Histórias por contar

Elas: autoria & autoridade em questão


20 julho a 27 outubro 2018
Pavilhão de Exposições

Prata da Casa

É uma exposição organizada por André da Loba a convite do Clube de Criativos de Portugal que reúne 120 ilustradores, de diferentes gerações e diferentes áreas de formação – incluindo alguns estudantes e professores desta Faculdade.


16 setembro a 4 outubro 2019
Pavilhão de Exposições
Inauguração 16 setembro às 12:00

Uma mão cheia de nada

Exposição dos finalistas em Artes Plásticas Multimédia da FBAUP


1 a 4 jun 2021
oMuseu, Galeria Cozinha e Pavilhão Central
Abertura · 1 jun · 14 às 18 horas

Ao Postigo

Exposição dos finalistas em Artes Plásticas Pintura da FBAUP


9 a 14 jun 2021
oMuseu, Galeria Cozinha e Galeria 1º andar

Lançamento da publicação Tropismo Fotográfico

A publicação é o resultado da residência que reúne obras de Mariana Fogaça, Rita Almeida Leite e o coletivo Lab.25, composto por Álvaro Oliveira, Miguel Teodoro, Rodrigo Machado e Rui Mota, com textos de Inês Moreira e Susana Lourenço Marques.


30 jun 2021
17:00
Terraço do oMuseu

O Direito às Histórias

Novas perspectivas em desenho e gravura 2021
Exposição de estudantes do Mestrado em Artes Plásticas — estúdio de desenho


3 jul a 11 set 2021
Fundação Júlio Resende

Intervalo

Antes e Depois, o Desenho 2020/2021
Exposição de estudantes da UC 
Práticas do Desenho – Licenciatura em Artes Plásticas


3 jul a 11 set 2021
Fundação Júlio Resende – O Lugar do Desenho

 

I Can See the Future

Exposição Final do 1.º Ciclo de Estudos em Design de Comunicação


28 jun a 2 jul 2021
oMuseu
Inauguração 28 jun às 17:00

Elipse Zero|Null Ellipse

Exposição de trabalhos realizados em Estúdio pelos estudantes do Mestrado em Artes Plásticas (MAP) especialização em Escultura. 


7 a 9 jul 2021
oMuseu
Inauguração 17:00

Claraboia: 20 rasgos

Exposição dos finalistas em Artes Plásticas – Escultura


17 a 23 jun 2021
oMuseu, Galeria Cozinha, Galeria 1º andar e jardim

Primeira Avenida / Duplo Sentido

Processos e Percursos — exposição dos processos de trabalho dos estudantes do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público


18 jun a 18 jul 2021
Praça do Munícipio e Avenida Álvares Cabral

Vila Nova de Gaia