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“Diálogos entre Brasil e Portugal” discutiu o futuro do ensino artístico

I Congresso Internacional levou à FBAUP investigadores de Portugal e do Brasil

Terminou na passada sexta-feira, na Faculdade de Belas Arte da Universidade do Porto, o primeiro encontro de investigadores de Portugal e Brasil para pensar "O ensino artístico que temos e o que queremos".

Durante toda a semana, a Aula Magna da Faculdade foi palco de conferências, comunicações em sessões paralelas e rodas de conversa, numa programação integralmente transmitida também em live streaming, tendo em conta o actual contexto social. A presença física foi garantida mediante inscrição até ser atingida a lotação da sala, contornada neste “novo normal” pela transmissão e participação no evento de forma online.

Na Aula Magna da FBAUP foram cumpridas todas as normas de higiene e segurança //Foto de Joana Carneiro

Inicialmente programado para 22 e 23 de maio de 2020, e adiado devido à pandemia como tantas outras iniciativas, este Congresso Internacional, organizado por instituições de ensino e de investigação do Brasil e de Portugal, decorreu no âmbito do relacionamento que ao longo dos tempos se foi estabelecendo entre professores e investigadores nestas geografias.

José Paiva apresentou "Inscrever a Arte e a Educação Artística numa Prática Descolonial" no primeiro dia do Congresso //Foto de Joana Carneiro

Na sessão de encerramento, e numa análise feita a este primeiro encontro, José Paiva, professor na FBAUP e membro da Comissão Científica do Congresso, falou num claro “sentimento geral de que foi muito bom este estar junto”.

O lugar das práticas no interior da Academia, os valores que são ou não valorizados, os desafios, o lugar dos investigadores e educadores, a responsabilidade de educar o cidadão do futuro, foram algumas das questões debatidas durante estes cinco dias.

O encontro permitiu a "possibilidade de nestes tempos estranhos de pandemia ter encontrado um modo de continuar a falar entre nós e criar esta empatia e vontade de, em presença, ainda que mediada, criar um estar junto" e ainda a criação de um "sentimento comum aos participantes que foi o não nos esquecermos das nossas responsabilidades e não atenuarmos as nossas lutas”, explicou José Paiva. 

Mais de uma dezena de conferencistas discutiram o presente e o futuro da educação artística em Portugal e no Brasil //Foto de Joana Carneiro

Um evento feito de estudantes, investigadores e professores, todos vozes representativas e significativas do percurso da educação artística, que se viraram para dentro, numa reflexão que permitiu não só olhar para a história da educação artística mas trazê-la para o presente e repensá-la, nunca esquecendo a importância da criação de vozes inconformadas e em constante diálogo.

Mas, para José Paiva, mais que uma simples memória da história, este I Congresso trouxe uma “vontade de procurar um pensamento novo e novas formas de abordagem” e mostra a “disponibilidade e vontade de não deixar retroceder as conquista que a educação artística foi conseguindo ao longo do tempo” e marca o inconformismo e vontade de transformar as dinâmicas de investigação e práticas da educação no sentido de encontrar sempre o melhor discernimento para esta prática.

O Congresso foi seguido online, via Zoom pelos participantes, e com transmissão integral no youtube //Foto de Joana Carneiro

A forte componente online do evento transformou a experiência num registo sobre si própria, objecto de estudo para todos os investigadores que assim o queiram e permitindo o futuro desdobramento destes conteúdos, disponíveis na íntegra para consulta online.

O reforço do compromisso com a escuta e a criação de um diálogo muito importante foram pontos fortes repetidos ao longo do balanço feito esta sexta-feira à tarde.

O desejo de quem participou é que um dos resultado deste Congresso seja a realização de um próximo que traga uma nova oportunidade de continuar a pensar em conjunto.

A continuidade do evento, num contexto em que seja possível a presença física de todos e aumentando a diversidade para outros países de língua portuguesa, foram algumas sugestões para a próxima edição, que está já a ser discutida.