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Prémio Infanta Dona Maria Francisca premeia anualmente os melhores trabalhos do Mestrado em Artes Plásticas da FBAUP

Beatriz Bizarro e Maria Cunha venceram a edição 2019.

Fruto de uma parceria inédita entre o Círculo Dr. José de Figueiredo - Amigos do Museu Nacional de Soares dos Reis, a Associação Real Social Cultura Desporto, a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) e o Museu de Serralves, os alunos do Mestrado em Artes Plásticas da FBAUP podem concorrer com o trabalho de fim de curso a um prémio no valor de 1.000 euros, para a área de Pintura e outro de igual valor para a de Escultura.

O “Prémio Infanta Dona Maria Francisca”, cujo patrono é a Infanta Dona Maria Francisca de Bragança, que lhe dá nome, destina-se assim a premiar os melhores trabalhos apresentados anualmente na FBAUP sendo o valor do prémio suportado integralmente pela Associação Real Social Cultura Desporto.

As obras devem ter sido apresentadas, defendidas e aprovadas em provas públicas no ano letivo concluído no ano.

Edição 2019 no feminino

Foi conhecida, em setembro passado, a decisão do Júri da Edição de 2019. Em reunião plenária, e apreciando as obras a concurso, foi deliberado atribuir o Prémio de Escultura a Maria Beatriz Couto Bizarro de Castro Dias e o Prémio de Pintura a Maria Luzia Almeida Cunha de Alegre e Silva.

Beatriz Bizarro (esq.) e Maria Cunha (dir.) foram as vencedora da Edição de 2019 do Prémio Infanta Dona Maria Francisca

O percurso de Beatriz Bizarro nas Artes Plásticas tem “uma relação íntima” com o seu percurso com a Dança, e por isso mesmo diz que podemos falar “num caminho combinado entre as duas áreas”. Já para Maria Cunha, a escolha por Belas Artes foi “natural”.

As dúvidas durante a Licenciatura surgiram de forma diferente para as duas artistas. Se para Beatriz “não eram mais do que características complementares da prática”, Maria duvidou da Pintura como escolha, “principalmente depois de um ano lectivo onde nos é possível experimentar as 3 grandes áreas - ponderando escolher tanto o ramo de Multimédia como o de Escultura.” Mais tarde, foi a Fotografia (analógica) que acabou por se mostrar uma opção clara no percurso, bem como as Técnicas de Impressão e foi nesta mistura de vários campos artísticos que Maria viu, e ainda vê hoje em dia, uma mais valia.

Não me parece razoável pensar que as áreas artísticas não se misturam, que queremos e que vamos só dedicar-nos ao pensamento da Pintura, da Escultura ou da Multimedia, etc. Existe um cruzamento enorme entre distintas linguagens e que está intrinsecamente inscrito e presente nas obras e peças de arte que nos chegam.

"47º 28'10 N 10º 48'20 E, Planseem Tirol, Áustria", 2019, de Maria Cunha

No final, quer Beatriz quer Maria chegaram a bom porto com as decisões que tomaram em relação às áreas escolhidas. Beatriz nunca quis deixar nem a escultura nem a dança e, no ano pós-licenciatura, ocupou grande parte do tempo com esta última. Diz até que foi esse ano de formação intensiva em dança e a vontade de conciliar as áreas que a levou a continuar o trabalho em escultura a partir do Mestrado. Maria, por sua vez, conciliou as diferentes possibilidades que tinha, mantendo sempre a Pintura como primeira opção mas trazendo diferentes opções e campos artísticos para o seu trabalho.

"Do invisivel: da nuca" de Beatriz Bizarro

O Mestrado na FBAUP

Da escolha por um 2.º ciclo de estudos destacam ambas o contacto com os professores e orientadores e as oportunidades que as discussões abrem ao crescimento intelectual e pessoal. Para Beatriz, o Mestrado fez também sentido pela oportunidade de desenvolver certas problemáticas com mais tempo, dedicação e um acompanhamento que não é possível na licenciatura, em que o tempo é dividido entre muitos objetivos.”

Para Maria, o Mestrado não era uma preocupação mas seria sempre uma mais valia “para a criação de uma rede artística” e acabou por ser isso mesmo, e mais importante, colocou-a disponível para pensar em exposições, não só como o acto de fazer uma Exposição numa determinada Instituição, mas também como o aceitar a sua própria exposição (enquanto criativa e pessoa) perante esse momento, esse “ato de coragem.”

A importância da cultura

Numa altura de escassez de suporte para o setor cultura, as vencedoras consideram a iniciativa valiosa para os estudantes do Mestrado em Artes Plásticas já que ajuda a criar oportunidades de exposição e reconhecimento público.

Quando falamos da falta de apoio para a Cultura, e para as Belas Artes em especial, Beatriz foca-se no “associativismo e colaboração entre artistas como forma de resistir e de procurar contornar essa tendência de precariedade” e de falta de urgência em “criar condições para que a realidade profissional do artista seja distante da sua multiplicação por várias ocupações profissionais.”

Maria concorda que “deveríamos contar com mais apoios para a Cultura” já que é “aquilo que define uma sociedade” e que “não há proposta”. Apesar de saber que não ia ter um trabalho certo quando optou pelas Belas Artes, acredita que é possível ter um futuro na área, ainda que não a tempo inteiro, nem para todos. A viver atualmente na Alemanha, participa nos concursos que vê disponíveis e criou um estúdio onde dá seguimento ao trabalho artístico, que concilia com um pequeno emprego para pagar as despesas ao final do mês. Beatriz, por seu lado, acredita na força de entidade coletiva como forma de ampliar as possibilidades de trabalho através da pela diversidade dos seus elementos na experiência e conhecimento e por isso mesmo tem procurado estimular o trabalho colaborativo e em rede com outros artistas e outros grupos.

O Prémio enquanto oportunidade

Quanto ao Prémio Infanta Dona Maria Francisca, Beatriz considera que “é muito gratificante, até porque perante o contexto que vivemos que coloca os artistas num período de maior incerteza, é sem dúvida um excelente factor de motivação para a continuidade do meu trabalho.” Para Maria, o prémio mostra que um espetador se reviu no que escrevi, pintei e fotografei e é também o reconhecimento de um trabalho extenso e intensivo de 6 anos de Faculdade. Significa que ainda há interessados naquilo que é feito nas Belas Artes e que o nosso trabalho não fica esquecido quando acabados os Estudos.

O Prémio Infanta Dona Maria Francisca 2019 será entregue em data a anunciar, nas instalações do MNSR. As candidaturas para a edição 2020 terminaram a 31 de outubro.