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PCD @ Porto online juntou a comunidade internacional para discutir a programação criativa

A 3.ª edição do evento marca um ano de crescimento, com mais de 200 participantes

Foi na passada quinta-feira, 11 de fevereiro, que a 3.ª edição do Processing Community Day @ Porto juntou participantes de mais de 20 países. A realização online potenciou o crescimento do evento e provou o potencial de partilha dos meios em rede, com ligações do Brasil, Espanha, Reino Unido, França, Estados Unidos da América, Singapura, Grécia, Turquia, Líbano, México, Austrália, Uruguai, Indonésia, Israel, China ou Japão.

As atividades deste ano começaram com uma chamada de trabalhos para uma exposição online, que pode ser vista até dia 11 de março. “FUTURE VISION” recebeu mais de 70 submissões de todo o mundo, das quais foram selecionadas 21 visões específicas sobre como os media atuais moldam a comunicação e arte. De artistas conhecidos a professores e outros autores, as propostas abrangeram tecnologias simples como abordagens procedimentais para manipular gráficos, visão por computador, gráficos 3D sintetizados ou gerados, deep faking, impressões 3D, fotogrametria, estereoscopia e ainda síntese de áudio.

Esta diversidade de abordagens, meios e plataformas que foram apresentados foi aliás digna de nota pelo orador principal, Karsten (Toxi) Schmidt.  O “computational polyglot” iniciou a conferência explicando a sua relação com o aparecimento do Processing. Um regresso às raízes mostrando o seu percurso com as linguagens de programação e realçando a importância de aprender conceitos e manter a curiosidade. Ideia sublinhada ao longo de toda a keynote com várias referências à importância de reinventar as soluções conhecidas.

APRENDER ATRAVÉS DA PRÁTICA

Contribuidor para o desenvolvimento da plataforma inicial do Processing, Karsten revelou desde logo que não se deve ficar preso a apenas uma solução. O próprio foi evoluindo e atualmente usa outro paradigma de linguagens. Desafiou os participantes a explorarem outras abordagens, baseadas em linguagens históricas, ou mesmo em tecnologias emergentes. Isto num processo contínuo de promover a literacia computacional.

Outro aspecto que também ficou claro foi a importância da capacidade de colaboração e criação de uma comunidade para o sucesso do Processing.

Depois de mostrar a evolução das capacidades gráficas da tecnologia, com trabalhos e referências, Karsten reconheceu a importância histórica e atual do Processing e  apesar da dificuldade em identificar uma plataforma mais simples para designers começarem a programar, o orador não deixou esquecer que há outras e que é bom sinal ir ultrapassando as tecnologias.

Para terminar, Karsten mostrou um pouco do processo e código que desenvolve atualmente e lembrou que “data is code; and code is data”, uma afirmação que deixa no ar um call-to-action para pensar em que mais pode ser aplicada esta lógica para além da programação criativa.

Além de orador principal, o dia teve ainda quatro “artist talks” de Tim Rodenbröker, Alina Ling, Rodrigo Carvalho e Joanna Zylinska e uma webperfomance final de Nicolau Centola.

ARTIST TALKS

Durante o dia, quatro artistas puderam apresentar e explicar melhor as suas abordagens de reflexão, investigação e desenvolvimento. Do desenho de soluções de educação sobre programação criativa como Tim Rodenbröker à exploração háptica e artística de Alina Ling, passando pela visão sobre a realidade (invisível) que nos rodeia e que a tecnologia e o design nos permite observar, como fez Rodrigo Carvalho. E pela possibilidade especulativa que a tecnologia como as GANs nos permite fazer sobre a própria noção de arte e criação, como apresentou Joanna Zylinska.

WORKSHOPS

Na semana anterior à conferência houve tempo para quatro workshops de aquecimento, parte da estratégia de promoção da conferência que ajudou a manter o interesse e a divulgar o evento e que acabou por esgotar todas as vagas rapidamente.

O primeiro workshop foi dividido em dois dias, numa introdução ao creative coding com a biblioteca p5.js y os participantes puderam dar os primeiros passos no design computacional, inspirados pelos padrões de artistas portugueses como Maria Keil e António Quadros Ferreira — este último tendo sido uma das primeiras gerações de professores a lecionar design na FBAUP. O segundo workshop, conduzido por Vânia Oliveira — alumna da FBAUP e designer do Atelier Nunes e Pã no Porto —, começou por apresentar o seu projeto de mestrado, antes de prototipar uma versão baseada em Programação Orientada aos Objetos mais simples e que gerou resultados surpreendentes com o código. O terceiro workshop,  uma contribuição de Alexandre B A Villares —professor e investigador em São Paulo (Brasil)—, introduziu os participantes ao Python numa abordagem refrescante e generosa, já que o processo incluiu manter todas as notas e documentos abertos online e permitiu a todos trabalhar sobre o mesmo documento. Por fim, Iván Huelves e Lourdes Marco — uma dupla de designers da Escola Superior de Design de Madrid (Espanha) —, dirigiram um workshop de introdução à manipulação de interfaces com computação física e fontes variáveis.

Lição geral, e repetida durante a conferência, é a da importância cada vez maior de desenvolver uma literacia de design computacional sem ficar parado numa tecnologia.

O futuro parece promissor, e sabe-se agora que traz consigo o Processing Community Day de Tokyo e o Processing Community Day de São Paulo.