Select Page

Sopro

"Não foi o que desejámos: notas para a Sopro possível

O ano lectivo de 2019/20 iniciou-se como habitualmente e com expectativas relativamente à qualidade e diversidade dos estudantes seriados para a especialização em Escultura do Mestrado em Artes Plásticas (MAP.E.FBAUP). Nenhum dos estudantes da turma se conhecia, como é comum em programas de pós-graduação. A Mostra Curricular UmPontodeSituação19|20 permitiu a fruição presencial e também a demonstração dos laços já iniciados entre o grupo, num convívio e partilha académicos muito salutares e profícuos para os seus percursos. As formalizações e materializações plásticas da Isabel Dores, da Pilar Mackenna, da Letícia Maia, da Clarice Cunha e do Rui Mota com formações, experiências e origens distintas, bem como os temas, questões, preocupações e valias, potenciaram a diversidade das experiências concretizadas até janeiro de 2020, e decorrentes dos seus planos individuais de trabalho com estruturas, dinâmicas e pressupostos diversos e, por vezes, complementares.
(….)
Entretanto, no final de fevereiro surgem notícias da aproximação da pandemia e os primeiros dias de março divulgam o estado de emergência nacional e consequente confinamento. Mais mudanças, alterações e ajustes, mas, agora para todos: um choque, um relâmpago que alterou, em tudo, as nossas vidas. Facilmente, se entenderá a impossibilidade de lecionar, Artes Plásticas, Escultura, e, concretamente, a UC Estúdio em Escultura, quando privados de quase tudo o que faz parte dos processos, mas também dos resultados.
Sem acesso a oficinas, sem o apoio presencial, sem as ferramentas, sem a interajuda vivida em direto e em contacto, tivemos que adaptar, rapidamente, a vida e uma realidade académica para a qual nenhum de nós estava preparado. O agora, o hoje, tornou-se distinto, sempre em casa, com e através de monitores.
(…)
Não foi fácil para nenhum de nós: foi uma experiência irrepetível e única, nem que se seja porque foi a primeira das nossas vidas. (…)
Procurámos ampliar a sinestesia, a visão háptica, através de ferramentas e recursos tecnológicos acessíveis e que permitiram colmatar algumas lacunas mantendo as sessões, muitas vezes bem mais longas. Estivemos em grupo e individualmente em atendimentos sem distrações e com outras possibilidades que se acrescentam ao fazer em contacto directo e pessoal. Conseguimos muito, mas muito também faltou ou teve que ser ajustado ou adiado.
(...)
Deu-se prioridade imediata à atenção a tudo… ao tempo, ao detalhe, ao gesto, mas também ao mundo, ao global, ao que mudou para todos em todos os lugares.
A primeira preocupação foi apelar à imaginação e criatividade, aguçando as emoções, as sensações, sentimentos e sentidos. Foi fundamental não desistir nem perder o ânimo, não permitir que o desânimo, desistência ou que a impotência se apossassem de nós.
No dia 21 de julho gostaríamos de ter estado todos juntos com todos aqueles que quisessem estar também. Como se fosse um Sopro de alívio e não um medo e receio do Sopro, ou do sussurro.
(…)

Depois deste longo e estranho semestre, daquilo que foram estes meses, aconteceu a Sopro. Mostra Curricular de Estúdio em Escultura. MAP.2020: o final de um percurso.

(...)

Não vos vou maçar mais. Já falei muito, já me ouviram muito e eu a vocês, nesta espécie de vazio que nos habita, com e como corpo, nas palavras que enunciam o projecto da Isabel Dores, o peso é muitas vezes insustentável, e o vazio transforma-se em cheio ou em espaço negativo. Nos seus textos podemos ler que a distância é experienciada numa “dualidade do próprio corpo, o corpo e o espaço invisível, e a relação do corpo com o objeto (…). O volume, permeado por um vazio, é desenvolvido e reconhecido pelo aprisionar da matéria. O espaço vazio, perde a sua propriedade estéril e passa a habitar o outro lado: um nãomundo de espaços negativos que vagueia entre uma presença e uma ausência do corpo”.

Com aproximações de ordem conceptual mas com um distanciamento enorme na expressão desses corpos no e com o espaço, o corpo resistência da Letícia Maia, é simultaneamente doce e amargo, em níveis, graus e camadas de leitura, participação e fruição, diversos. D Ó C I L_metáforas do poder. A performance como resistência poético-política, parte da prática artística autoral onde nos apropriamos da palavra dócil em seus diversos significados, para tomá-la como jogo metafórico na formulação de estratégias estéticas”. A Letícia questiona como “as relações de poder agem nas relações sociais e, consequentes influenciam na construção da nossa subjetividade (…). Considerando que a performance, enquanto prática artística, lança um olhar crítico para a sociedade e elabora ações que provocam o imaginário social a repensar possibilidades performativas do corpo, reguladas pelas relações de poder (…) como ato de resistência poético-política”. Um diálogo entre ética e estética, entre o poder, a submissão e a subordinação incorporadas social e culturalmente.

A Clarice Cunha e a Pilar Machenna tiveram, neste período de confinamento, necessidade de incluir no processo e nos trabalhos seu corpo físico visível, o que antes não acontecia. Talvez de passagem e pelas necessidades impostas, que entendo similarmente como abertura a outras possibilidades que ampliam os seus pressupostos e projectos.
Monumental descartável vem com a Clarice e desenvolveu-se desde o início deste ciclo. O trabalho está sempre dependente da experiência vivencial da Clarice no local onde vive e com qual se relaciona: vem dela e das coisas do lugar.
Sumariamente, são composições híbridas que conjugam matérias produzidas pelo ser humano com matérias naturais, nas quais “estabeleço relações de complementaridade e oposição refletindo sobre o ambiente construído a partir da interferência humana”, e através de processos “de reflexão sobre o acúmulo, o consumo, a cultura material da arquitetura local e dos objetos domésticos. Observo o espaço construído da cidade, investigando o diálogo entre matérias (…): um processo de coleta, catalogação, reorganização e resinificação”. As esculturas remetem quer para maquetas que sugerem a escala arquitetónica como para cenários, que se organizam e compõem os espaços, “criando mais camadas de resinificação destes materiais que escolhi trabalhar”.

Por outro lado, a Pilar e as suas Constelaciones y Derivas, surgem como Diagramas para la construcción de un pensamiento visual-objetual, como enuncia no título do seu plano e projecto de investigação. Para esta estudante chilena que, como a Letícia e a Clarice, atravessaram o Atlântico, “el desafío de ésta investigación, se sitúa en la posibilidad de comprender el vínculo del ser humano, su entorno y los sistemas en los que está inscrito, naturales o urbanos, a través de una especulación visual y material llevada al campo de las artes plásticas” (…)  A subtileza, leveza e apuramento compositivo pela simplicidade formal, são caracterizantes e cunhados por uma delicadeza de gestos e ações contidas nos objectos tridimensionais com organizações espaciais variáveis, cirando diálogos ou conversas entre si, ou permanecendo no tempo através das fotografias.

Para finalizar, faz sentido tentar responder ao que será O carácter ineliminável da arte aprofundando estratégias de simplificação formal e processual, proposto pelo Rui Mota, e já anunciado neste texto.
Segundo o Rui, trata-se de exercitar, filtrando, e procurando entender o que será imprescindível, na prática e experiência artísticas. “Forma, Conteúdo, Espaço, Tempo e Público são os resultantes pilares cujos primeiros dois e os seguintes três compõem, respetivamente, o que se reconhece por Objeto e Contexto. Este último, que na maioria dos casos continua a ser, pelo menos em parte, ignorado, constitui-se como eixo de investigação analisando a recíproca influência que trava com os Objetos e delineando métodos conscientes de modelar o que não se pode excluir. Do contexto da forma à forma do contexto, explora-se o Espaço, o Tempo e o Publico como participantes indispensáveis da equação artística, mediante uma prática, predominantemente escultórica, que se foca na presença do Objeto além dos seus limites físicos”.
(…)

Não foi nada fácil, nada foi simples, mas aconteceu e fica registado dentro de nós como uma conquista.

Testemunho audiovisual Sopro


Sugestão: durante a visualização do testemunho audiovisual que acompanha este texto, dedique igualmente atenção aos títulos ou nomes atribuídos, pelos estudantes, às suas materializações plásticas.”

FBAUP, 27 julho 2020
Rute Rosas
www.ruterosas.com
Regente e Docente da UC Estúdio em Escultura

*O texto completo pode ser lido em: Sopro_final

EXPOSIÇÕES ANTERIORES

Fotografias e o resto 05

As fotografias e o resto 05, patente de 21 a 24 de Janeiro de 2020 no Museu da FBAUP, é a quinta edição da exposição anual de estudantes de Práticas da Fotografia, reunindo trabalhos realizados no ano lectivo de 2019/20.


21 a 24 jan 2020
oMuseu

Olivai-nos do Mal

Exposição dos estudantes finalistas da LAP – Multimédia


7 a 9 fev 2020
Oliva Creative Factory — São João da Madeira
Inauguração 18:00

A new life after a tree / Uma vida nova depois de ser árvore

Projeto artístico que reúne um conjunto de artistas de diferentes geografias como o Japão, Bélgica, Polónia, Letónia e Portugal, ao redor da árvore, sobretudo a camélia.


28 fev a 13 mar 2020
Museu Nacional Soares dos Reis
+ oMuseu FBAUP

O Corpo Transparente

Desenho no Museu Anatómico: Partilha e Experiências Pedagógicas 2018


12 setembro a 26 outubro 2018

Reitoria da Universidade do Porto
Inauguração 18:00

 

Sudeste—Noroeste

Novas Perspectivas em Desenho — Exposição


outubro a 9 novembro 2018

Casa da Prelada
Rua dos Castelos, 485, Porto

 

Diálogos com Amadeo

Exposição de Pintura


15 setembro a 15 outubro 2018
Galeria Olívia Reis, Espinho
Inauguração às 16:00

Mesa redonda: O Corpo Transparente

Mesa redonda com Teresa Lacerda (Faculdade de Desporto), Artur Águas (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e Mário Bismarck (Faculdade de Belas Artes).


10 outubro 2018

18:30
Reitoria da Universidade do Porto

 

RUN RUN RUN

Exposição de Finalistas de Design de Comunicação 2017/18


5 a 13 julho 2018
oMuseu
Inauguração às 17:00

Padrão

Residência Artística: Deslocações #01
Exposição de Estudantes da Licenciatura em Artes Plásticas — Multimédia


24 março a 21 abril 2018
Museu Municipal Abade Pedrosa
Museu Internacional de Escultura Contemporânea
Santo Tirso

Vote together

A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto participa no movimento Vote together.


20 a 26 maio 2019

Questões de Conservação 3

Estudos de Barata Feyo para as fontes do Direito no Palácio da Justiça do Porto


12 a 20 abril 2018
Galeria do Museu

Prémios de Aquisição FBAUP 2016/17

Exposição com os premiados das licenciaturas em Artes Plásticas e em Design de Comunicação


21 setembro a 4 outubro 2017

Galeria Cozinha
Inauguração 15:00

 

HIATO

Exposição dos alunos finalistas do 4ºano da Licenciatura em Artes Plásticas, Ramo de Escultura


25 janeiro a 25 fevereiro 2018

Fórum Maia, Galeria 4
Inauguração 19:00

 

Cerejas para um amigo

Exposição de desenhos do Escultor José Rodrigues


21 setembro a 6 outubro 2017

Galeria 1º andar
Inauguração 15:00

 

Slow is the New Fast

Exposição de Finalistas do Mestrado em Arte e Design para o Espaço Público


21 setembro a 4 outubro 2017

oMuseu e outros locais
Inauguração 15:00

 

Ecos Pop

Exposição de Isabel Cabral e Rodrigo Cabral.


14 julho a 28 outubro 2017
Pavilhão de Exposições

Como o sol/ Como a noite

Esta exposição revisita a obra de António Reis e Margarida Cordeiro através de diferentes abordagens artísticas.


22 a 30 novembro 2018
oMuseu
Inauguração às 18:00

Extremo meio

Reúne projectos artísticos e de investigação de Daniela Lino, David Lopes, Inês Bessa, João Gago e Marta Rebelo, fundamentados no campo do desenho e da gravura, desenvolvidos no Mestrado em Desenho e Técnicas de Impressão da FBAUP.


15 e 16 novembro 2018
oMuseu, Galeria Cozinha e Galeria 1º andar

Hífen

Exposição dos estudantes finalistas da Licenciatura em Artes Plásticas — Escultura da FBAUP


25 janeiro a 7 fevereiro 2019
CACE cultural
Rua do Freixo, 1071
Porto
Inauguração Sexta · 21:00

Demonstração + Workshop // Teruo Isomi

Professor Teruo Isomi irá conduzir uma demonstração aberta integrada no seminário Modos de editar: genealogia de um jardim às 17.00 o museu FBAUP, seguido de breve conversa sobre o seu trabalho.


9 e 12 mar 2020
oMuseu + Oficinas de Técnicas de Impressão

1.0 / Desenho e Ilustração

A exposição 1.0 realiza-se no âmbito da u.c de Desenho e Ilustração com o objetivo de mostrar à comunidade académica da FBAUP  o trabalho desenvolvido durante o semestre.


28 janeiro a 1 fevereiro 2019
Galeria Cozinha

Desenhar na incerteza — Do processo ao projeto #2

A exposição apresenta uma seleção dos desenhos realizados pelos estudantes de Desenho III, do 2ºano das licenciaturas em Artes Plásticas da FBAUP.


1 a 13 fevereiro 2019
oMuseu
Inauguração · 17:00

UmPontoDeSituação

Mostra Curricular — Estudantes do Estúdio MAP Escultura 1º ano


7 a 14 fevereiro 2019
Hall de entrada Pavilhão Central

+ Galeria Cozinha
+ Pavilhão de Escultura

Opacidade e Transparência

Exposição dos estudantes do Mestrado em Artes Plásticas — Estúdio de Desenho


9 fevereiro a 23 março 2019
Lugar do Desenho — Fundação Júlio Resende
Inauguração às 16:00